Thursday, 8 December 2011

A Idade da Fábula, de Thomas Bulfinch

        Antes de mais, devo um pedido de desculpas a todos vós. Tenho andado bastante ausente, quer do blog, quer do Goodreads e até as leituras têm estado comprometidas, mas com o início da época de testes torna-se difícil conciliar tudo. Além disso, tendo o horário da tarde, o tempo que me sobra de manhã tornar-se-ia muito pouco se o começasse a aproveitar para actualizações do blog em vez do estudo. É verdade que tenho algumas reviews escritas de livros que li durante o verão o que, à partida, parecia tornar tudo mais fácil, sendo apenas necessária a correspondente tradução para inglês, de forma a poder colocar as reviews no Goodreads. Mas enganei-me redondamente. Tendo um pouco aversão às actualizações automáticas, estou a pensar, seriamente, em fazê-las, pelo simples facto de tornar mais fácil esquematizar logo tudo do que o fazer caso a caso. Vou tentar ser um pouco mais célere daqui para a frente, mas nada prometo - peço-vos, apenas, paciência. Nem sempre é fácil conjugar uma vida real com uma vida virtual e esta última tende a ficar para depois...

Posto esta pequena justificação, passemos, então, para a review.

A Idade da Fábula, de Thomas Bulfinch
Editora: Nova Vega
Páginas: 328
ISBN: 9726996309
PVP: aprox. 8€
Site oficial: http://www.novavega.pt
Sinopse: A idade da fábula é um rico tesouro de mitologia antiga - grega, romana, celta, oriental e nórdica. Sobre todo um universo maravilhoso e fantástico reinavam deuses caprichosos a cujos traços estranhamente humanos (crueldade, bondade, inconstância e ciúme) era dada total liberdade graças a poderes sobrenaturais. É este interminável mundo de histórias, que não são mais do que explicações míticas para tudo quanto há de mais humano, apresentado sob a forma de aventuras excitantes e inesquecíveis, que Thomas Bulfinch apresenta a um mundo novo. Histórias cujos personagens, ainda hoje, usamos a propósito de tudo. Nomes como Pandora, Orfeu, Prometeu, Thor, as Valquírias ou Hércules têm as suas lendas contadas de forma simples e maravilhosa ao longo destas páginas. Esta é a primeira edição portuguesa de um dos textos mais famosos da literatura universal, alvo de sucessivas reedições. Uma obra maravilhosa que se destina aos leitores de todas as idades e que a todos deslumbra. Retirado da contracapa do livro.


        A Idade da Fábula, de Thomas Bulfinch, é uma obra que pretende, nas palavras do autor, “popularizar a mitologia e alargar o prazer da leitura”. Se é sucedido em popularizar a mitologia, não sei, mas que pode possibilitar alargar o prazer da leitura, acredito.
        Bulfinch explica, de maneira muito sucinta e directa, a história de vários entes (tais como Júpiter, Aquiles, Ulisses, Eneias, entre outros) e eventos de relevo (a Guerra de Tróia, por exemplo), permitindo descobrir as ligações existentes noutras obras (como O Paraíso Perdido, de Milton) e facilitando a nossa compreensão do que nos é apresentando. Isto é o que o autor pretende e que, de certa forma, consegue realizar. Muitas vezes, ao ler Os Lusíadas, deparava-me com ligações à mitologia greco-romana que não percebia por completo, devido, em grande parte, à educação que temos hoje em dia. Não é costume estudarmos mitologia de forma intensiva e o que mais percebo sobre ela obtive-o através do estudo da obra de Camões. Isto complica a nossa análise de diversas obras clássicas e acaba por nos afastar um pouco: afinal, porque havemos de ler algo que não iremos perceber?
        Assim sendo, esta obra tornou-se bastante agradável de ler: passei a perceber melhor um ou outro ponto da história, a minha imagem dos deuses está mais consolidada e ainda obtive informação adicional que se revelou bastante útil (depois de ler o capítulo sobre a guerra de Tróia vi o filme Tróia, com Brad Pitt e Orlando Bloom, e percebi o filme duas vezes melhor do que teria percebido se não tivesse lido o livro; o mesmo aconteceu com o filme Clash of the Titans).

        Mas há, para mim, dois graves problemas nesta obra. Bulfinch, realmente, conta as coisas da forma mais resumida possível (e eu agradeço!), mas acaba sempre por soar como um mero relato: o senhor Bulfinch está ali a contar-nos a sucessão de acontecimentos como qualquer um de nós contaria a outra pessoa. A certa altura isto torna-se aborrecido e quase comecei a desejar que aquilo fosse contado como uma verdadeira história e não como um mero resumo. Inicialmente, coloquei a culpa nos deuses: são demasiados, têm demasiados nomes, estão sempre chateados uns com os outros ou com os mortais e acaba por se tornar um pouco confuso. Mas, a verdade, é que quem escreveu aquilo daquela forma foi o próprio Bulfinch, logo é a escrita dele que não me convence, não os deuses.
        Mas falando em deuses, isto leva-me a dois aspectos que muito me chatearam: em primeiro lugar, mais de dois terços do livro é referente a poetas, deuses, mortais ou eventos greco-romanos; é sabido que a mitologia não se limita a esta região. Em segundo, devido, talvez, também, ao primeiro ponto, existiam demasiados deuses e as histórias, a certa altura eram demasiado parecidas: Júpiter metia-se com uma ninfa qualquer, ou mortal, ou deusa, e Juno vinha, toda chateada, dar-lhes uma lição super cruel. Ou então era Minerva que tinha sido desafiada por não-sei-quem e que os transformava em não-sei-o-quê. Isto torna-se desgastante e eu própria comecei a deixar notas no livro que dizem isso mesmo.
        Só a parte final se torna mais levezinha, falando sobre mitologia nórdica, egípcia ou moderna, mas o que nos é contando é tão pouco que deixei de tirar notas.

        Resumindo: é um livro agradável se estiverem interessados em mitologia e queiram alguns esclarecimentos, mas tenham em mente que se foca mais na mitologia greco-romana. É de realçar, ainda, a tradução de Odilom Cabrita de Sousa, que coloca notas bastante convenientes e que acabam por completar as notas do autor ou até a sua própria obra.
5 estrelas

1 comentários:

Liliana Lavado said...

Olá!
…não abandones o blog… as tuas criticas são muito boas ;)

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